terça-feira, outubro 24, 2006

Da Papaia ao Orelhudo 1

Quantas vezes por dia queremos dizer papaia e só nos saem palavrinhas bonitas...? , quantas vezes estamos a saborear uma papaia e somos obrigados a chamar-lhe um nome fofinho..? E embora não passe de fruta meus amigos, quase sempre a deliciosa papaia tem de ter um nome, que de certeza é o da boneca de infancia favorita da dona de tal fruto. Por estas e por outras é que nas conversas entre homens, seja onde for, surgem fabulosas teorias e sinónomos exclusivamente dedicados à papaia.
Obviamente quando se fala em papaia em qualquer círculo de amigos , há sempre aquele, que por razões que só os nossos paizinhos devem saber, quando abre a boca só diz merda e temos que fazer um esforço para não sair deste mundo a rir, até o próprio nome parece retirado de um filme. O mais hilariante é que por mais absurdas e badalhocas que sejam as suas frases há sempre uma pontinha de verdade.
Esse nosso amigo, o Bernardo, tratou ao longo da sua vida de todas as papaias que pôde e das que não devia, nós fomos ao longo dos anos sabendo dessas aventuras alucinantes. Nem a Mãe sonha que por ter criado o filho nas periferías da lapa, senão nos melhores colégios, pelo menos naqueles mesmo ao pé, que o seu bernardinho é um icone a seguir na conquista da papaia.
A primeira aventura que nos lembramos abriu-nos a cabeça para o mundo da suculenta fruta, afinal não temos sempre que descascá-la com uma faquinha ou comê-la com jeitinho, segundo o Bernardo, tinhamos em primeiro lugar e antes de qualquer acção hidratar o "nabo" com nabex (suposto creme lubrificante) em "pról" da papaia, não viesse esta a sofrer do sindrome da papaia seca, ou seja, homem prevenido vale por dois, não vai à primeira...vai depois. O segundo passo era o belo do "abocanhanço", sem o qual o nabex não faria o mesmo efeito pois a reacção quimica que produz com a saliva é quase como que uma retribuição para as donas das papaias, pois passa de "nabo" a "mega-nabo"...
De "nabo armado" e em punho vinha o primeiro contacto com a papaia, o qual podia ter um de dois começos, conforme a qualidade da papaia é claro!
Assim tudo o que fosse papaia "fresca e bem lavadinha" mercia um belo papilingus de forma a deixá-la "bem amaceada", caso contrário espetava-lhes logo, o "nabo forte e feio" ou "fortemente".
Ao contacto fisico "nabo" vs papaia, Bernardo especificamente chamava "Chalonga", ou seja, dava-lhes umas boas chalongadas até ao momento "tcham". Inconformado com este conceito tão vago aperfeiçou-o incluindo tudo o que para o efeito lhe parecia importante, e por fim definia a trinca na papaia como a "chalonga na porca tchan", nome que chegou a ser traduzido para russo "Tchalungski in tchanski porkaieva" para ser usado na producção de filmes tipo Felini( até hoje não se sabe ao certo a que vertente de Felini Bernardo se referia).
Para Bernardo estes eram então os requesitos por si definidos como "à priori" numa vincada prespectiva Champ d`ouriensse, para ter sucesso em qualquer chalongada e deixar uma boa impressão à "porca".
Para além destes rituais "à priori", Bernardo ensinou-nos tambem a técnica de conquista e abordagem á papaia em todas as situações do quotidiano, fossem elas em eventos sociais ou num simples semáforo.
O grande amor da sua vida nasceu precisamente num desses semáforos da cidade de Lisboa, enquanto esperava luz verde para arrancar, passa Charlotte, e eis que da boca de Bernardo saem as miraculosas palavras, "partia-te essa r... toda!!!", ao que Charlotte responde, "então parte lá..!?". Envolvidos em paixão, perpetuaram aquelas palavras num amor de 6 anos, que podia ter durado bem mais ...

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